Uma matéria do portal Meio&Mensagem selecionou campanhas que fizeram bom uso da IA. Mas o que raios significa fazer “bom uso da IA”? Pensando nisso, decidimos tentar entender um pouco melhor como elas fizeram isso para nos inspirarmos. A ideia é entender um pouco melhor desses processos para refletir sobre o que faz sentido para sua marca ou empresa.
A seleção abaixo traz cinco campanhas apontadas por profissionais de criação que destacaram não apenas o uso da tecnologia, mas principalmente como essa tecnologia contribuiu com a ideia. Esse é o ponto central de que vamos tratar aqui: a IA funciona melhor quando não é protagonista gratuita, mas quando viabiliza, amplifica ou dá nova camada ao conceito criativo.
Vamos a elas?
1- We Want Your Pee
Foram usadas imagens geradas por IA para uma campanha que fala do alto consumo de água pelos servidores da própria Inteligência Artificial. Com o uso de um humor mais “absurdo” para chamar atenção para um problema real, a campanha usa a IA como tema, criando uma campanha falsa que brinca com a marca e ao mesmo tempo relembra às pessoas os problemas dos data centers.
O que podemos aprender com isso?
- A Inteligência Artificial pode ser o próprio assunto e não apenas ferramenta.
- O humor pode funcionar muito bem para brincar com temas complexos.
- A tecnologia pode ajudar a amplificar debates sobre ela mesma.
2- Lorem Ipsum
O filme mexicano (premiado em Cannes Lions) faz uma brincadeira com a democratização da produção audiovisual trazida pela IA. Ao trabalhar sem um texto, ele reforça que a tecnologia não substitui as boas ideias e não funciona de forma vazia. A produção impecável só funciona porque há um roteiro forte por trás.
O que podemos aprender?
- Trabalhar com IA não pode levar as equipes à falta de conceito e de ideias.
- A qualidade técnica só tem eficácia quando há uma história para contar.
- Democratização não significa banalização — exige direção criativa.
3- L’Ultimo Uomo Reale
Essa campanha da marca de bolsas “The RealReal” usa IA para criar um homem hiper-realista que, aos poucos, vai vivendo situações absurdas que só a IA é capaz de criar. A ideia da campanha é trabalhar com a ideia de autenticidade, de forma que o “quase real” reforce o valor do “real real”.
O que aprendemos?
- A IA pode ser usada para contrastar o que a marca realmente vende.
- Os glitches e imperfeições da IA podem se tornar parte da linguagem, evitando o embate com os defeitos.
4- Lucky Fan Index
Este não é uma campanha de produção de vídeo, mas o uso da IA para uma campanha de marketing que visava trazer mais público ao estádio de futebol, especialmente após o time polonês em questão ser rebaixado. O clube cruzou a presença dos torcedores com mais de 200 indicadores de jogo para criar um índice de quem é mais “pé-quente”. O resultado foi um aumento de 42% no público. No vídeo, vemos a explicação do que aconteceu.
O que aprendemos?
- O uso inteligente da IA tem poder de transformar cultura popular em produto.
- Os dados que a IA consegue reunir e calcular podem gerar experiências personalizadas e engajamento real, para além do mundo digital.
- A conexão da tecnologia com o real interesse do público cria valor imediato.
5- The Watch
Olha só a “sacada”: uma única pessoa criou, junto com a ferramenta de IA Runway, um vídeo de uma campanha fictícia para uma marca fictícia. O filme é simples e mostra personagens mudando de idade ao girar a coroa de um relógio. Ao fazer a suposta divulgação de uma marca de relógio inexistente, a campanha reforça como ideias potentes podem ser viabilizadas pela ferramenta.
O que aprendemos?
- Quando as “falhas” e descontinuações da IA são incorporadas, vemos que ela pode ser aplicada à estética.
- Ter uma boa história para contar é o que sustenta tudo.
- Com a IA é possível viabilizar ideias que seriam custosas demais e acabariam sendo abandonadas.
Na hora de pensar no uso da IA para audiovisual, inspirar-se nessas campanhas ajuda a compreender que o futuro da criatividade está intrinsecamente ligado ao uso consciente e inteligente das novas ferramentas.
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