jul
Artigo

The Bear e Festim Diabólico: o segredo dos roteiros para cenários únicos

Você já viu filmes ou séries que se passam em cenários únicos?

Na série The Bear, o sexto episódio da segunda temporada se passa basicamente na sala e cozinha de uma casa durante a noite de Natal. Filmes como Armadilha, de David Brooks; Deus da Carnificina, de Roman Polanski; Por Um Fio, de Joel Schumacher; e os clássicos 12 Homens e Uma Sentença, de Sidney Lumet; e Festim Diabólico, de Alfred Hitchcock, são outros excelentes exemplos de histórias que se passam em um único cenário. Algumas vezes, no máximo, esses filmes contam com uma ou duas cenas em outros espaços.

Em breve, chega aos cinemas o filme O Convite, dirigido por Olivia Wilde, que faz o mesmo.

Não surpreende que muitos destes filmes citados sejam baseados em peças teatrais. Afinal, contar uma história com um único cenário é algo feito nos palcos do mundo todo há milhares de anos.

Isso não significa que não seja possível ou desejável em obras audiovisuais! Pelo contrário. Os cenários únicos são ótimas formas de exercitar a capacidade de se contar uma história, além de permitirem algo fundamental: reduzir os gastos.

Esses filmes podem ser interessantes para refletirmos sobre como podemos contar uma história em um único ambiente, seja ele uma casa com vários cômodos, apenas uma sala, e até mesmo uma cabine telefônica.

*imagens: reprodução (cenas de filmes)

Roteiro e diálogos

Se você viu alguns dos filmes citados, você já deve ter se dado conta do segredo fundamental para que eles engajem o público desde o começo: roteiros bem escritos.

Mas o que é um roteiro bem escrito? Afinal, boas histórias não estão necessariamente conectadas com a quantidade de cenários. Tem boas e más histórias com todos os tipos de características.

O primeiro passo a se considerar na hora fazer produções com cenários únicos é o diálogo: é por meio da conversa dos personagens que o espectador vai conhecer suas características, seus arcos dramáticos e outras questões importantes. Por isso, é fundamental escrever e reescrever as falas, pensando na forma mais natural de se contar a história, e sempre considerando a personalidade de cada um dos membros daquela trama.

Algo que pode funcionar muito bem na hora de contar histórias com cenários únicos é pensar em diálogos despretensiosos, especialmente no começo. Começar uma história com os personagens falando sobre um outro tópico pode ser uma ótima forma de mostrar ao espectador sobre como eles agem e contar sobre suas personalidades. Por exemplo: quando um personagem mente logo no começo da história, já sabemos que ele pode mentir no final; ou se uma personagem conta sobre como ajudou alguém em sua nobre profissão, já podemos antever que trata-se de alguém de boa índole.

Não é porque uma história se passa em um único local que não se pode utilizar elementos do audiovisual para alavancar sentimentos: close-ups (como no episódio de The Bear) ajudam a compreendermos os sentimentos de um personagem; a filmagem em plano-sequência de Festim Diabólico contribui para o sentimento de urgência e angústia; e as aproximações de câmera de 12 Homens e Uma Sentença contribuem para mergulharmos nos arcos dos personagens e suas decisões.

Não é preciso ter um longa-metragem para aproveitar um único cenário. Filmagens das mais diversas podem se aproveitar dessas técnicas e habilidades para contar uma boa história de forma econômica. Isso apenas reforça como é possível contar uma boa história mesmo sem grandes investimentos ou floreios: basta caprichar na escrita do roteiro!

Gostou? Então compartilhe com seus amigos!

Related Posts