Assistir a filmes de maneira crítica pode nos ensinar muito. Quando prestamos atenção na luz, no enquadramento, na construção de tensão, nos sentimentos que um filme gera, nós podemos colocar isso em prática em qualquer outra produção audiovisual.
Esse aprendizado pode ser aplicado até mesmo para sua marca, seja em produções próprias ou em ideias a serem trabalhadas com a produtora de vídeos que você contratou.
Pensando nisso, decidimos trazer alguns filmes recentes e trechos de críticas escritas sobre eles. A partir da observação do crítico, podemos refletir em como melhorar nossa produção própria!
Dia D:
Todas essas características acabam um tanto apagadas quando o roteiro as transforma em um amontoado desconjuntado de clichês e conveniências. É divertido acompanhar as repetidas fugas e perseguições, mas vilões que parecem estar em uma esquete dos Trapalhões quebram o clima de tensão. O tal artefato, que a princípio parece perigoso e instável, aparece e some segundo as necessidades dos personagens, seja para ficarem invisíveis, seja para acender lâmpadas. (Silvana Perez)
Na crítica de Silvana Perez sobre o filme de Steven Spielberg, vemos um apontamento importante que diz muito sobre a necessidade de uma obra fazer sentido no todo. Ao dizer que os vilões parecem estar em esquetes, e ao afirmar que há clichês nas perseguições, a autora aponta que esses exageros costumam tirar o espectador do que ele está assistindo. Se a proposta é se levar a sério, é fundamental que a obra tenha elementos
Devoradores de Estrelas
Apesar de tantos elementos bons (…), há um certo desespero em encantar o espectador com algo fofinho ou engraçadinho o tempo inteiro. A impressão é que, na tentativa de se contrapor à ficção-científica “adulta”, “Devoradores de Estrelas” acabou fazendo uma curva muito fechada na outra direção. Não chega a capotar, mas os pneus já eram – ou os propulsores do foguete, sei lá. (Ieda Marcondes)

Na crítica de Ieda Marcondes, vemos um elemento que ela não vê como positivo no filme de ficção científica estrelado por Ryan Gosling: o excesso de piadas e elementos “fofos”. Sempre que um roteiro decide que uma história vai ter um elemento que se contrapõe a algo sério como forma de criar um equilíbrio, é importante que esse equilíbrio seja bem dosado, a fim de não “pender para o outro lado”.
Isso é muito comum em produções e publicidade de marcas que tentam ser bem-humoradas: se o humor for demais, a imagem pode passar a ser negativa.
Eu e Você na Toscana
Enredos que se baseiam inteiramente em uma mentira já tendem a ser mais difíceis de se sustentar e, em Eu e Você na Toscana, a situação fica ainda pior porque a protagonista tem a chance de dizer a verdade muitas vezes antes de inevitavelmente o suposto noivo aparecer no meio. Ela chega perto em diferentes ocasiões, apenas para ser impedida por algo muito simples. Tudo fica ainda mais frustrante porque os personagens ao redor dela são queridos demais para serem enganados assim. (Bruna Nobrega)

A crítica de Bruna Nobrega sobre a comédia estrelada por Halle Bailey considera outro problema que pode ser resolvido ainda na fase de roteiro: as escolhas e o carisma dos personagens. O que leva a protagonista aos problemas dela, segundo o artigo, é mentir. Isso pode ser solucionado com algum elemento que faça com que ela precise dizer a mentira, ou talvez outra motivação para ela fazer o que faz. Ou então, se for o caso, a comédia romântica poderia não ter personagens tão “queridos”, o que talvez deixasse o filme um pouco menos leve e, portanto, com algo mais dramático a ser considerado.
Depois de escrever um roteiro, preste sempre muita atenção às motivações dos personagens e a como eles reagem ao que acontece com eles.
Sonhos de Trem
E mais: ao investir na fluidez dos movimentos de câmera para acompanhar o cotidiano de Robert, Gladys e a filha, o filme confere uma característica quase onírica a estas sequências, fazendo jus ao título da obra e à felicidade daquela pequena família (…). Já em outros momentos, Veloso inspira melancolia através de recursos mais rígidos, como os lentos zooms out que expõem a figura diminuta do especialista em explosões vivido lindamente por William H. Macy e que se tornam poesia ao surgirem justapostos em elipses criadas pela montagem de Parker Laramie. (Pablo Villaça)

A crítica de Pablo Villaça sobre o filme indicado ao Oscar de 2026 aponta para questões estilísticas e como elas ajudam a contar a história. Quando ele diz que a fluidez de câmera ajuda a deixar o filme mais poético, ele reforça um ponto positivo: a edição e fotografia têm conexão com a história que é contada. Ao citar os “lentos zooms out”, Villaça explica que essa estratégia de filmagem, ao diminuir o personagem em tela, traz melancolia ao espectador, pois vemos como a pessoa é pequena diante da natureza que a cerca, e as “elipses” (passagens de tempo na mesma cena) tornam tudo mais belo.
Bons artistas sabem fazer boas escolhas na hora de criar um filme ou vídeo realmente bonito.
Mestres do Universo
A trilha de Daniel Pemberton, com colaboração de Brian May, é um dos elementos mais fortes da produção. Há nela um senso de aventura roqueira, quase glam, que combina muito bem com o absurdo nobre da franquia. A música ajuda a dar identidade ao filme, principalmente quando mistura fanfarra heroica com guitarras e texturas mais cósmicas. É uma escolha inteligente porque evita tanto a solenidade genérica quanto a nostalgia preguiçosa. (Kevin Rick)

Por fim, a crítica de Kevin Rick sobre o “filme do He-Man” cita a função da trilha sonora, reforçando como o sentimento da música traz “senso de aventura” e identidade a uma obra audiovisual. Note que o crítico comenta que ela evita dois extremos (solenidade genérica e nostalgia preguiçosa), destacando a importância de uma obra ser equilibrada nos sentimentos que transmite.
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