Se você viu apenas algumas notícias rápidas nas redes sociais dizendo que o diretor Martin Scorsese “está utilizando IA” ou “se rendeu à inteligência artificial”, você viu apenas metade da notícia.
*imagem em destaque: Wikimedia Commons (licença creative commons)
Vamos entender um pouco melhor o que aconteceu e como podemos interpretar este fato.
A declaração ao New York Times
Martin Scorsese, considerado por muitos como o maior cineasta vivo do mundo (e um dos grandes cineastas de todos os tempos) declarou em entrevista ao The New York Times que está atuando como consultor da Black Forest Labs. A empresa é uma startup de inteligência artificial generativa especializada em geração de imagens.
O cineasta usou as ferramentas de IA para gerar imagens de storyboards para o próximo filme do diretor. Veja o que ele disse a respeito:
“Estou interessado na intersecção entre a tecnologia e o contar histórias, e em ver como isso pode expandir os limites da criatividade para criar experiências mais profundas e mais ricas para os espectadores. Lembrem-se de que o cinema é uma mídia jovem, com somente 125 anos, então precisamos estar abertos à maneira com que ele pode evoluir”.
Ruptura com o movimento de Hollywood
Desde que a nova tecnologia passou a fazer parte do dia a dia das pessoas comuns e ser acessível a todos, Hollywood passou a lutar contra a IA Generativa. Atores chegaram a se manifestar contra a possibilidade de filmes estrelados por imagens criadas pela ferramenta, e muitos profissionais passaram a defender a produção artística em oposição à reprodução de imagens e sons feitos por máquinas.
Recentemente, alguns nomes conhecidos já estão mudando o posicionamento de forma a dizer que o melhor é aprender a trabalhar com a IA, e não contra ela.
Em sua entrevista ao NY Times, Scorsese lembrou que já fez uso da tecnologia de 3D no filme A Invenção de Hugo Cabret, de 2011, além da tecnologia de rejuvenescimento digital em O Irlandês, de 2019. Agora, ele afirma que a IA agora poderia ajudá-lo a transmitir suas ideias “de forma mais clara e eficiente para a equipe criativa”, incluindo um diretor de arte, um designer de produção e um diretor de fotografia.

IA como apoio e não como substituta
Repare que Scorsese não falou em momento algum na possibilidade de substituir atores ou artistas pela inteligência artificial generativa. Ele fala de acelerar processos na comunicação e na elaboração de produtos prévios ao filme em si.
É claro que o surgimento de qualquer nova tecnologia gera receios e necessidade de cautela, assim como exige que seus efeitos sejam pensados e repensados, discutidos e colocados em xeque constantemente.
O posicionamento de Scorsese gerou concordâncias e discordâncias, incluindo quem defenda o trabalho dos artistas de storyboard, que seriam perdidos com esse tipo de decisão. O que podemos compreender por enquanto é que o debate está longe de terminar, e que devemos sempre buscar um equilíbrio que faça sentido, valorizando o trabalho artístico e humano na produção audiovisual.
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