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Como os planos e enquadramentos contam histórias – com exemplos!

Não é só o roteiro de um vídeo que conta uma história! Talvez você não tenha se dado conta disso, mas os planos e enquadramentos também ajudam a transmitir as mensagens que desejamos – e isso vale para qualquer produção audiovisual, desde um longa-metragem para o cinema a um vídeo curto para as redes sociais.

*imagem ilustrativa em destaque: Envato

Vamos entender isso melhor?

No audiovisual, cada plano, ou seja, cada imagem exibida entre um corte e outro, é uma escolha narrativa. É na hora de filmar que o diretor determina onde a câmera fica, com qual lente ela “observa” a cena, e de qual ponto de vista as imagens serão vistas. O enquadramento não é somente questão estética: ele orienta o olhar do público e define o que deve ser sentido em cada momento.

Podemos citar alguns exemplos. um plano fechado, em que se vê apenas o personagem bem de perto, geralmente aproxima o espectador do personagem, revelando emoções sutis da atuação, enquanto um plano geral (que enquadra o cenário e o corpo todo do personagem) amplia o contexto e cria uma sensação de distância ou isolamento.

planos próximos dão foco nas emoções (exemplo do filme Oppenheimer)

A escolha do enquadramento certo é, portanto, uma ferramenta de linguagem – e não apenas uma questão técnica. Mais do que “mostrar”, o enquadramento deve comunicar intenções.

O responsável por uma filmagem (geralmente o diretor, na maioria das produções), quando filma algo, pode sugerir ideias com uma simples decisão. Se o personagem for filmado de cima para baixo, mesmo que “de leve” (apenas com a câmera um pouco acima), o personagem pode ser sentido como mais vulnerável – e esse enquadramento é nomeado de plongée.

personagem visto de cima para baixo: tende a demonstrar sua vulnerabilidade (exemplo do filme Harry Potter e a Ordem da Fênix)

Se a ideia for sugerir poder de uma personagem, ele deve ser filmado da forma oposta: por meio do contra-plongée, ou seja, de baixo para cima.

A posição do personagem dentro do quadro indica sua relação com o ambiente ou história: se uma filmagem mostra o personagem nos cantos, deslocado ou cortado, significa que aquele personagem não se encaixa naquele mundo, por exemplo.

cenas de baixo para cima tendem a reforçar o poder de um personagem (exemplo do filme Matrix)
posição do personagem: quando ele é visto nos cantos da tela, mostramos como ele está “deslocado” e não se encaixa em seu mundo (exemplo da série Mr. Robot)

A regra nunca é absoluta

Esse tipo de “gramática” do audiovisual pode muito bem ser desbancado por outros elementos de uma produção. Isso significa que, algumas vezes, mesmo quando se quer aproximar o público do personagem, pode ser preciso afastar a câmera, por exemplo. Um exemplo bastante famoso está no filme “O Poderoso Chefão: Parte II”: uma famosa cena do filme tem o protagonista Michael Corleone filmado em um leve plongée, com a câmera um pouco acima dele, mas isso de forma alguma o coloca como vulnerável: a posição do ator, a poltrona e todos os elementos da história só reforçam como ele é empoderado, e não o oposto.

Michael Coreleone é empoderado, mesmo sem um enquadramento óbvio (O Poderoso Chefão: Parte II)
Mesmo com enquadramento de longe e de cima para baixo, tem-se o empoderamento do personagem a partir da grandiosidade do seu trabalho (com os jornais em volta), da atuação de Orson Welles e do contexto da história

Importância

Dominar essa linguagem dos planos e enquadramentos é essencial para quem deseja criar vídeos impactantes, seja um curta-metragem, um vídeo institucional ou uma campanha publicitária. Em um mercado saturado de imagens, o diferencial está em usar o enquadramento de forma expressiva, para que cada plano contribua para o arco narrativo e prenda o público não apenas pelo que vê, mas pelo que sente.

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