Que roupa o personagem vai vestir? Dependendo da filmagem, você pode pensar que não faz diferença nenhuma, mas acredite: o figurino é fundamental em qualquer produção audiovisual!
Não importa se é uma peça publicitária, um longa metragem ou uma videoaula: o figurino pode ser a diferença entre o público acreditar no que vê ou duvidar do conteúdo, entre valorizar a mensagem ou desconfiar do propósito.
Em alguns casos, a escolha do figurino fica a cargo do apresentador, da professora ou do repórter. Em outros, pode ser que o diretor indique algo, ou que haja um profissional a definir o que o ator deve vestir. Tudo depende do projeto. O mais importante é ter em mente que a roupa faz diferença tanto do ponto de vista técnico, quando listras podem atrapalhar a captação da imagem e roupas verdes podem confundir com o fundo em chroma-key, quanto do ponto de vista narrativo, quando um personagem não combina com determinadas cores, ou um filme de época necessita de roupas do período.
Vamos entender um pouco melhor sobre figurino para o audiovisual?

1- Desde a Grécia antiga…
Você sabia que os gregos foram os primeiros a se preocupar com a amplitude do figurino em cena? Na época das peças de teatro que moldaram a nossa civilização, os atores já se utilizavam de recursos para que até mesmo os espectadores da última fileira pudessem visualizar os trajes. Entre os truques, estavam o uso de coturnos que elevavam a estatura, enchimentos capazes de aumentar o tamanho do ombro e o volume das costas, e até mesmo roupas que davam a impressão de prolongar o tamanho dos braços para ampliar movimentos e gestos.
Foi no século XIX que o figurino no teatro passou a considerar questões dramáticas com base no perfil dos personagens. No entanto, foi somente no início do século XX que se consolidou a ideia de figurino como uma disciplina que busca falar obrigatoriamente sobre personagens em cena, ou seja: sobre a construção a partir do roteiro e sobre os elementos cênicos que compõem a obra. Antes, muito das escolhas se baseavam apenas em opções com base na moda, o que hoje se considera “estilismo”. Hoje, existe uma clara diferenciação entre o papel do estilista e do figurinista.
2- Diversos tipos de figurino

Na produção cinematográfica — e, por conseguinte, na produção audiovisual como um todo — o figurino é geralmente dividido em diversos tipos, sendo cada um deles com base em diferentes fatores. Os tipos não se separam totalmente, e quase sempre há intersecções entre eles.
O figurino de época, como você deve imaginar, se baseia na escolha de roupas com base no período retratado em um filme: calças boca de sino dos anos 1970, corseletes e vestidos dos séculos XVII e XVIII, túnicas e gibões do período medieval são alguns exemplos.
Chamamos de figurino realista aquele que se baseia com o máximo absoluto de verossimilhança: retratando fielmente a época, região e classes sociais dos personagens.
O figurino de fantasia, por outro lado, demanda um pouco menos de pesquisa e muito mais criatividade por parte dos profissionais, pois trata de mundos e ambientes que não existem na realidade.
Figurino conceitual é aquele que se utiliza de elementos que não consideramos como “roupa”, mas que podem criar uma impressão dramática para uma obra. Artistas pop como as cantoras Lady Gaga e Madonna são famosas por usar figurinos conceituais em seus shows. Um filme que faz uso desse tipo de figurino é O Quinto Elemento (1997), no qual as roupas estilizadas buscam um apelo visual exagerado de propósito.
Por fim, vale citar o figurino simbólico, que se preocupa muito mais em representar elementos de interpretação da história ou dos personagens. Podemos citar muitos exemplos, mas ficaremos com dois. Em O Conto da Aia, os vestidos vermelhos usados pelas aias têm o objetivo de simbolizar a fertilidade, o controle sobre o corpo feminino, além de a cor ser associada ao pecado, enquanto o capuz ou chapéu branco, além de contrapor o vermelho, sugere a submissão das mulheres e a visão limitada pelos opressores. No filme O Segredo de Brokeback Mountain, o personagem Ennis sempre veste roupas de cor marrom e bege, enquanto Jack veste roupas azuis. Na casa de Jack, o ambiente rosa evidencia como Jack não tem poder sobre sua esposa, e ao fim da história, Ennis passa a vestir azul como forma de mostrar que Jack está presente em sua vida.

3- Escolhas e possibilidades de figurino
Vamos reparar em dois trabalhos do portifólio da 42 Filmes.
No vídeo publicitário da Lacrima Plus, a personagem que aparece em um ambiente de escritório está vestindo uma roupa de tons pastéis. O objetivo de um figurino como este é não chamar atenção para o que ela veste. Como quase todo vídeo publicitário, ele precisa passar uma mensagem rápida, e a venda do produto precisa garantir que o público olhe para os olhos dela e sua situação de olho seco. Uma roupa que combine com um ambiente de escritório, mas que não chame atenção para si, é fundamental nesta situação.
No segundo vídeo, um professor universitário apresenta o sistema EAD da instituição. Ele veste uma roupa simples e sem segredos: camisa bem passada e alinhada junto com um blazer. A cores são sóbrias e passam a credibilidade necessária que um professor deve transmitir.
Assim sendo, os aprendizados sobre figurino em obras artísticas podem muito bem ser adaptados para qualquer audiovisual. O importante é sempre compreender que a roupa faz toda a diferença na imagem a ser gravada.
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