mar
Audiovisual

Fotografia: 5 lições do brasileiro indicado ao Oscar

Na premiação do Oscar de 2026, o diretor de fotografia Adolpho Veloso foi um dos destaques. Ele se tornou o primeiro e único brasileiro indicado à categoria pelo trabalho que realizou no filme americano Sonhos de Trem.

*imagem: cena do filme “Sonhos de Trem”

Além da torcida dos brasileiros, que o incluíram nas orações por uma estatueta dourada junto das possibilidades para o filme O Agente Secreto, Adolpho de fato teve chances de ser premiado, ainda que corresse “por fora” na competição, que acabou tendo como vitoriosa a diretora de fotografia do filme Pecadores, Autumn Durald Arkapaw.

Mesmo assim, Adolpho Veloso tem muitos conhecimentos e muito a ensinar sobre sua área. Compilamos alguns ensinamentos dele.

1- É preciso partir da emoção

Em uma entrevista, Veloso comenta a importância de partir da emoção para fazer escolhas de luz e fotografia para um filme. Segundo ele, escolhas como a luz, o tipo de lente, entre tantas outras que o diretor de fotografia precisa fazer, são importantes, mas devem sempre partir de algo subjetivo que é a emoção.

Em seu trabalho, ele afirma que precisa partir do que acontece na história a ser contada para fazer as escolhas, e por isso ele não se considera um bom fotógrafo de imagens paradas, apenas de filmes.

imagem: reprodução Youtube

2- Às vezes, é melhor não “pensar demais”

Esta segunda dica é parecida com a primeira, ainda que tenha outro propósito. Ao comentar sobre uma decisão de posição de câmera para o youtuber André Pilli, Veloso comentou que tem horas que é necessário tomar decisões com base no que ele acha. Em Sonhos de Trem, há uma cena em que uma câmera “cai” junto com a própria árvore, ou seja, o espectador vê o mundo do ponto de vista dela. Ao falar sobre isso, o diretor de fotografia explica a razão poética de uma cena como essa e ressalta que, apesar de haver uma explicação para isso, é preciso fazer o que se acredita ser uma boa ideia.

3- Não há um caminho ideal a percorrer

Ao falar sobre a carreira de um diretor de fotografia (ou o trabalho no cinema em geral), Adolpho Veloso afirma que não há um caminho ideal ou perfeito. Ele fala que há profissionais formados em diversas áreas, ou apenas com cursos técnicos, e que conquistam ótimos espaços. “Confie no seu caminho”, resume.

4- Dificuldades criam possibilidades

Ao falar sobre filmes de baixo orçamento, Veloso aponta uma coisa importante sobre produzir audiovisual: as dificuldades levam à criatividade. Ao fazer filmes com pouco dinheiro, o diretor de fotografia muitas vezes precisa criar saídas que podem ajudar no futuro, ou viver situações que criam experiências.

Um dos exemplos citados está na quantidade de pessoas no set: em filmes pequenos, é comum ter pouca gente ao redor das câmeras e dos atores. Em filmes grande, devido à quantidade de pessoas no set, pode ser desconfortável para os atores (especialmente crianças, por exemplo), mas a experiência no set menor ensina a importância de pedir para que algumas pessoas se retirem a fim de criar um ambiente mais propício a uma boa atuação.

5- É preciso saber esperar

Para um diretor de fotografia, filmar em espaços abertos com luz natural pode ser um teste de paciência. Na produção audiovisual de forma geral, é importante saber esperar. Para que não haja incongruências na imagem captada, Veloso conta que, se estiver filmando em um dia com sol entre nuvens, é normal parar a gravação enquanto o sol sai detrás das nuvens, por exemplo. Em outra situação, eles aproveitaram uma tempestade de neve para fazer cenas em meio a ela.

Saber esperar é uma prática fundamental do ofício.

Gostou? Então compartilhe com seus amigos!

Related Posts